De Cubatão para o debate latino-americano: Regis Marques participa de encontro sobre educação humanizada

Arte editorial sobre participação do educador Regis Marques Ribeiro em encontro latino-americano, com referência à Escola Parque dos Sonhos, Cubatão.

Educador que liderou a transformação da Escola Parque dos Sonhos, premiada mundialmente, participa nesta terça-feira (27) de encontro que reúne especialistas para discutir o futuro da educação pública na América Latina.

Arte sobre Regis Marques Ribeiro e Escola Parque dos Sonhos em encontro latino-americano sobre educação humanizada.
Arte: Portal do Zé Barbosa | Divulgação do encontro de educação

CUBATÃO — A experiência educacional construída na Escola Estadual Parque dos Sonhos, localizada no Bolsão 9, em Cubatão, volta a ganhar destaque. O professor Regis Marques Ribeiro participa, nesta terça-feira (27 de outubro), de um encontro promovido pela Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE) e pela Campanha Brasileira pelo Direito à Educação, na capital paulista.

O evento, intitulado “Elementos para avançar em uma educação pública humanizada e humanizadora, em contextos de crueldade”, está previsto para as 18h30 e integra a programação da XIV Assembleia Geral da CLADE, que reúne representantes de organizações educacionais da América Latina e do Caribe.

A presença do educador cubatense coloca novamente em evidência uma experiência escolar que ultrapassou as fronteiras da cidade e conquistou reconhecimento internacional.

Da violência ao reconhecimento mundial

A trajetória da Escola Parque dos Sonhos é marcada por uma transformação significativa. Quando Regis assumiu a direção, em 2016, a unidade enfrentava problemas de violência, invasões, vandalismo e distanciamento da comunidade escolar. A situação era tão preocupante que o local chegou a ser chamado de “Parque dos Pesadelos”.

A mudança foi construída por meio de práticas pedagógicas baseadas no acolhimento, na escuta dos estudantes, na participação das famílias e na cultura da não violência. Professores, funcionários e comunidade escolar passaram a atuar para fortalecer o sentimento de pertencimento e melhorar a convivência.

Em 2025, a Parque dos Sonhos conquistou o World’s Best School Prize, na categoria Superação de Adversidades, premiação internacional que reconheceu a transformação vivida pela escola pública de Cubatão.

Experiência inspira outras escolas

O trabalho coletivo na Parque dos Sonhos tornou-se uma referência para iniciativas de convivência escolar e cultura de paz. Em janeiro de 2026, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo anunciou a criação da Rede Escola dos Sonhos, iniciativa inspirada na experiência de Cubatão, com previsão de alcançar 100 unidades estaduais.

O projeto valoriza a formação de educadores, o fortalecimento dos vínculos entre escola e comunidade e práticas de respeito às diferenças, mostrando que o ambiente educacional também pode contribuir para enfrentar problemas sociais.

Regis representa uma experiência de Cubatão

Formado em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com pós-graduação em Educação para a Não Violência e estudos de mestrado em Práticas Docentes na Unimes, Regis tem cerca de duas décadas de atuação na educação pública.

No encontro desta terça-feira, divide a programação com Alva Rosa Tukano, do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena; Julia Dietrich, pesquisadora e consultora da área de políticas educacionais; e Márcio Caires, ligado à Escola de Formação Pedagogia Griô.

A discussão aborda os desafios de construir uma educação pública mais humana diante da violência, da discriminação e das desigualdades sociais — temas que também estiveram presentes na transformação da Parque dos Sonhos.

Legado que vai além da direção

Regis deixou a direção da Escola Parque dos Sonhos em agosto de 2026. Sua participação no debate representa um novo momento na trajetória profissional do educador, que segue divulgando a experiência coletiva desenvolvida ao longo de quase uma década na unidade de Cubatão.

A história da Parque dos Sonhos evidencia o papel do diálogo, da participação da comunidade e da cultura de paz na educação pública. Agora, a experiência construída em Cubatão integra um debate com educadores e organizações de diferentes países da América Latina e do Caribe.

Fontes: Campanha Brasileira pelo Direito à Educação; Secretaria da Educação do Estado de São Paulo; Porvir.

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